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Marejando

16
maio
2019

[RESENHA] Os 13 Porquês, de Jay Asher

 
Título original: Thirteen Reasons Why | Autor: Jay Asher
Ano: 2007 | Editora: Ática | Páginas: 256
Gênero: Juvenil, Literatura Estrangeira, Drama, Romance
Classificação: ⭐⭐⭐⭐

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

SOBRE A LEITURA: Os 13 Porquês, de Jay Asher

O livro “Os 13 Porquês”, de Jay Asher, foi baixado pelo “Le Livros” e pela escrita ser simples, a leitura se tornou bem fluida e rápida. Ele é bem escrito e as duas narrativas, tanto na voz de Hanna através das gravações, quanto na de Clay e seus pensamentos, foram bem desenvolvidos. É possível interagir com as duas visões e se conectar aos dois personagens de uma única vez, e eu achei isto bem criativo da parte do autor.
 
A história se desenvolve em um único dia, com Clay vagando até de madrugada, seguindo os pontos marcados no mapa que foi entregue na caixa junto com as fitas. Hanna gravou 13 fitas contando um pouco sobre os acontecimentos de sua vida, e as pessoas que tecnicamente ajudaram a ela a cometer suicido, os porquês do ato. Clay é um deles, e precisa lidar com a morte da garota no qual era apaixonado, com o fato de ser um dos porquês e com todos os outros porquês da morte dela. Ele, que aparentemente era um cara um pouco anti-social, vai vendo as coisas de um outro modo a partir dos áudios da Hanna, e então ele passa a lidar também com toda a fúria que sente por causa do que é contado nos áudios.
 
[RESENHA] Os 13 Porquês, de Jay Asher

Imagem: prateleiradeideias.wordpress.com

Hanna era sobrecarregada com muitos acontecimentos, sofria bullyng com boatos de coisas que não havia feito, com mentiras contadas por pessoas que se fizeram de amigas, entre outras ocasiões perturbadores, e poderia sim até seguir em frente e esquecer tudo quando o ensino médio acabasse, mas ela não estava conseguindo. Ela estava tão desgastada que não possuía forças para se dar essa segunda chance. A jovem não estava aberta às outras possibilidades da vida, não deixava as pessoas chegarem perto, e com seus motivos, não conseguia confiar nas pessoas para receber ajuda. Isso porque, todo mundo de certa forma, se aproximava dela para magoa-la, mesmo sem intenção.

 
A Hanna só queria que as pessoas enxergassem quem ela era, sem dar atenção aos boatos da suposta garota que ela era. Ela queria que as pessoas confiassem nela, que pudesse construir uma amizade verdadeira com alguém, como qualquer garota normal, de uma forma natural, e ela nunca teve isso da parte das pessoas à sua volta. Então, foi muito frustante para ela, ver as pessoas sempre colocando-a para baixo, sentindo-se sozinha, sem a atenção dos pais ou sem ter amigos fieis. E é difícil se erguer sozinha, ainda mais quando sua mente, fraca e decepcionada, te ronda com pensamentos negativos à todo instante. A vida fica insuportável.
 
Pelo fato da narrativa focar mais no Clay e na Hanna, é difícil se afeiçoar aos outros jovens, até por que os personagens secundários não foram muito citados. Somente quando chega a fita de cada um. Eu em particular, achei alguns que alguns deles não foram bem construídos, pois se pareciam muito com os outros. Pode ser que os jovens de ensino médio sejam “iguais” com nomes diferentes, em geral, seguindo um padrão, mas de algum modo, não me senti atraída. Contudo, a Hanna explica o que eles fizeram para ela e assim cada um “ganha” seu espaço na história.
 
[RESENHA] Os 13 Porquês, de Jay Asher

Imagem: prateleiradeideias.wordpress.com

Na realidade, a gente sente e entende somente o nosso lado e não se preocupa em ter uma visão 360° da situação. E no livro podemos perceber que, havia coisas que acontecia com a Hanna e mesmo quando ela dizia, as pessoas não ouviam, não entendiam, ou não prestavam atenção. Dos outros “porquês” não conseguimos analisar o ponto de vista, mas em relação ao Clay, é possível essa analise, e um detalhe fez toda a diferença. Após ouvir todas as fitas, o Clay pôde perceber melhor os sinais da solidão e no final do livro se reaproxima de uma antiga amiga, que aparentemente está passando pelos mesmos problemas que Hanna antes de seu suicídio. E então ficamos na esperança de que ele a ajude.

MINHA OPINIÃO

Eu gostei muito do autor ter relatado esses assuntos fortes em uma narrativo juvenil, pois são vistos por muitos, e em vários momentos, como tabus. E assim, mesmo que saibamos que eles existem, nos esquecemos e aceitamos tudo com “naturalidade”. E isso não deve ser feito! A história foi transformada em série pela Netflix, e eles abordaram os assuntos com mais dramatização, e o efeito chocante, fez da série um sucesso de telespectadores, ao mesmo tempo que de criticas.
 
Tudo o que foi relatado ocorre no dia-a-dia, e não são raras às vezes. A leitura nos faz pensar sobre o que fazemos conosco e com as pessoas à nossa volta. Temos que ter cuidado com as palavras e com nossas atitudes, por que, por mais que não tenhamos intenção, podemos magoar alguém próximo. 
 
Ao ler o livro, eu sempre tinha a sensação de que ela iria voltar. Eu tinha quase uma certeza de que ela retornaria e diria que ela somente uma zoação com todos, mas não. Tem coisas na vida que não tem volta…
Estamos todos na lista. Todos. Somos todos culpados por alguma coisa. Por que Tyler seria diferente do resto de nós?

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