18 agosto 2018
Por Karol Vicente

[Usurper] Capítulo V

— Bom dia princesa.

Abri os olhos com dificuldade e dei de cara com aquele sorriso. O que será que ele estava fazendo em meu quarto? Não era dia de visita e ele não tinha marcado nenhum encontro. Fiz uma careta de preguiça e me enrolei um pouco mais, não queria fazer nada a não ser dormir mais um pouco. Ele não satisfeito, puxou meus cobertores e me deixou seminua à vista de todos os seguranças que estavam trás dele.

— Não está na hora de dormir.

— Também não está na hora de visitas. — Falei irritada com aquela recepção.

— Eu posso te ver sempre que eu desejar. — Ele parecia radiante. — Quero lhe apresentar alguns amigos. — Ele falou apontando para os homens. — São seus novos seguranças, meus novos parceiros e nossos novos amigos.

— Meu desprazer à vocês.

— Você continua irritante. — Ele disse agora sério.

Eu estava sem saco para aquela palhaçada. Um bando de homens com máscaras dos personagens da Disney para me vigiar? Poderia ser mais hilário? Ele não conseguia enxergar o quanto eu odiava quando ele fazia essas apresentações, como quando ele me vestiu luxuosamente para se gabar aos seus colegas de trabalho. Eu estava sendo efetivada para garota de luxo. Que maravilha!

O quarto estava gelado e sem roupas adequadas meu corpo se arrepiou. Eu estava incomodada, mas fiquei ainda mais quando senti um olhar percorrer meus seios. Olhares por todos os lados. Me encolhi encima da cama e olhei para o colchão, um sentimento de culpa me invadiu por dentro.

— Vamos testar como estão se saindo suas habilidades.

***

— Ela me pareceu bem ciente do que estava acontecendo, como se conhecesse os caras...

— Eu vou tentar conversar com ela mais tarde. Convoque uma reunião com o delegado, precisamos rever alguns detalhes...

— Por que está querendo ficar a sós com ela?

— Não estou.

— Eu quem desejo ficar sozinha, os rapazes me dão licença? — Interrompi a conversa dos oficiais já impaciente. Eles se entreolharam e deram alguns passos mais próximos de onde eu estava.

— Precisamos fazer algumas perguntas. — Johnson iniciou.

— Eu estou sonolenta e estressada, há um dor intensa até a metade da minha perna e minha barriga ronca de fome, não tenho memória sobre minha vida e mal consigo usar o banheiro sozinha, você quer mesmo conversar comigo neste momento?

Ele engoliu e seco e fez que não com a cabeça. Russell disse que pediria para trazerem alguma bandeja com a janta e só então reparei que já era noite. Quando eles saíram do quarto pude respirar um pouco mais tranquila. Tudo o que eu mais queria era ficar sozinha. Fiquei analisando as lembranças que eu tinha do cativeiro, das conversas, dos sonhos que eu andava tendo e sempre faltava alguma peça do quebra cabeça. Pelo menos, agora me sentia mais descansada com exceção das dores. Inconscientemente, busquei por uma solução à toda essa confusão, mas eu não conseguia ter pensamentos rápidos ou eficazes. Talvez a morte fosse uma aliada, apesar de já terem dado meu nome à ela antes de meu pedido.

Um sentimento de que o cãos iria se perdurar se instalou em mim com grande fixação. Respirei fundo e tentei afastar esses pensamentos até meu jantar chegar. A demora valeu a pena, eles prepararam uma refeição bem saborosa e em menos de cinco minutos eu já tinha acabado com tudo.

— Que bom que está conseguindo comer bem. Vamos precisar fazer novos exames em você, está bem? — Acenei com cabeça fazendo que sim. — Antes de tudo, preciso que responda algumas perguntas básicas.

— Podemos tentar.

— Certo. Sua antiga enfermeira me contou que você estava bastante agitada nos seus primeiros dias de estádia, você está conseguindo dormir direito?

— Não.

— Sente dores de cabeça?

— Sim, nas horas em que fico acordada...

— Está tendo alucinações?

— Não sei distingui-las. — Falei com receio.

— Como assim? — A mulher parou de escrever em sua prancheta e virou-se para mim com mais atenção.

— Nessa última semana que passei aqui no hospital, meus sonhos sempre me pareceram bem reais, mas no fundo eu sei que não são apenas sonhos.

— Você está com uma leve confusão mental, todo o estresse ajuda a você confundir os sonhos com a realidade, é normal. Você só não pode acreditar que tudo o que sonhou realmente aconteceu.

— "Aconteceu"? — perguntei pensativa.

— Sim. — Ela sentou-se junto a mim na cama. — Pode ser que esteja tentando buscar soluções para os seus problemas, mas de uma forma ilusória e assim, acaba criando esses sonhos, que seriam histórias perfeitas para explicar a origem das coisas. Você gosta de ler? — Ela perguntou e fiz que sim com a cabeça. — Você está, em um modo mais seco e direto de dizer, escrevendo uma história em sua mente. 

— Desculpe, qual o seu nome? — perguntei.

— Mila Stuart. — Ela disse com um sorriso no rosto.

— Você é boa no que faz. — Falei ao me sentar na cama. Ela agradeceu o elogio e fingiu estar sem graça. — Mas por que mencionou meus "sonhos", referindo indiretamente como se tivessem ocorrido no passado? — Ela soltou o sorriso e pensou por longos segundos, sem entender a minha pergunta. — Mila, eu não citei o tempo verbal dos meus flashbacks.

— Foi uma dedução.

— Você não é médica. — Falei olhando em seus olhos. Ela não mostrou nenhuma emoção e permaneceu no mesmo lugar, me encarando com tranquilidade. — Retire-se antes que eu chame um profissional de verdade e não se esqueça de levar a bandeja.

— Não quer saber à quem respondo?

— Acho que já sei quem possa ser.

— Acha que sabe. — Ela pegou a bandeja e se preparou para sair porta a fora. — Mesmo que ele não tenha dito em voz alta, posso afirmar que está louco para ter você de volta.

— Se for me visitar novamente, traga uma costela do Outback, por gentileza — Sorri sem emoção.

— Você estava com ele da última vez que saboreou uma , não é mesmo?

Apertei o botão que chamava os enfermeiros e ouvi um apito soar pelo quarto. Continuei olhando para ela sem emoção, ou quase. Ela sorriu para mim e antes de ir embora, disse:

— Boa noite, Emily Lawning.

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