11 agosto 2018
Por Karol Vicente

[Usurper] Capítulo IV

Olhei um carro preto se aproximar e eu sabia que eram eles. Eu ainda estava viva e era óbvio que eles viriam atrás de mim. Corri pra o lado oposto mas eles aceleraram no farol vermelho. Eram eles, eu sabia que eram eles. Minha mente foi ficando lenta e eu senti que poderia desmaiar a qualquer momento, mas ainda precisava continuar correndo. Esbarrei em algumas pessoas e nem ao menos virei a cabeça para me desculpar. Uma histeria incontrolável tomou conta de mim e eu precisei contar o choro desesperado que estava em minha garganta. Avistei o hospital e me arrependi de me aproximar do local, mas eu ouvia os passos dos homens atrás de mim e só estaria segura trancada em algum lugar. E melhor se fosse em um hospital.

Alguns policiais me viram e se aprontaram para me capturar, mas eu vi suas feições estranharem algo que vinha logo atrás de mim, e imediatamente observei várias armas serem erguidas. Parei em completo pânico. Olhei de longe os oficiais Russel e Johnson e não vi nenhuma hesitação em seus olhares. Me virei lentamente e vi três homens posicionados com fuzis apontados em minha direção. Seus rostos estavam mascarados e eu me recordei de tê-las visto em meus sonhos.

— Não eram sonhos... — murmurei. — Não foram sonhos...

Eu estava entre os dois grupos e não sabia como me livrar de nenhum deles. Meu choro cessou quando ouvi uma voz soar em minha mente, aliada ou não ela me salvou daquele fogo cruzado. "Abaixe-se", e eu obedeci bem a tempo antes que várias balas viessem a cair no chão. Comecei a engatinhar em direção aos policiais, mas diversas vezes eu precisava parar para tapar meus ouvidos e proteger minha cabeça. Ouvi o motor de motos se aproximando e ao tentar checar se eram de ajuda, apenas vi alguns dos profissionais no chão em meio a um montante de sangue. Atrás de mim, dois mascarados caminhavam em minha direção e mais duas motos tinham resgatados os feridos deles, enquanto que outras duas rondavam o local.

Continuei engatinhando e ouvi um tiro acertar um dos homens atrás de mim, este que cai de joelhos fica mais próximo a mim e agarra meus pés. Que garotinha mais indefesa. Com raiva, tentei chuta-lo para longe, mas ele segurou forte meu calcanhar e me puxou para mais perto de si.

— Sabíamos que você ia se safar. — Ele disse. — Chegamos até a apostar se você permaneceria viva ou não, mas o chefe vai gostar de saber que seu troféu mais valiosos ainda continua intacto. — Ele me puxou para mais perto e tirou uma faca de seu colete. — Ou quase.

Não, não , não! Tentei me desvincular de suas mãos, mas elas eram fortes demais e agarravam meus membros com firmeza. O mascarado ergueu a faca para me atacar, porém acabou sendo atingido novamente, e desta vez não tinham acertado seu colete e sim seu ombro esquerdo. Ele gritou de dor e com raiva enfiou a faca próxima de meu tornozelo. E então, foi minha vez de gritar de dor.

— Dessa vez você não correr para longe. — Ele disse com dificuldade.

E você não vai correr para lugar nenhum, a voz disse antes de outra bala acertar sua cabeça. Sangue expeliu por todo canto e eu fechei os olhos para evitar gravar aquela cena. Meu sangue se misturava com o dele em uma poça que se alastrava no chão. Os tiros cessaram e o único som que ouvi foi de passos caminhando até mim. Abri os olhos com medo e observei um distintivo brilhante. Acho que estava encontrando meus aliados.

— Fica calma que vamos te proteger!

Eu não sabia se era verdade ou se era a mentira mais linda que eu já tinha ouvido, mas me enchi de esperança. Comecei a chorar e implorei para que ele me levasse para longe daquele caos. Um ou dois tiros ainda eram trocados, mas os que não deram sorte já estavam no chão, e os demais não queriam permanecer junto à eles. A policia pediu reforços e logo depois, algumas pessoas poderiam ouvir sirenes e mais sirenes gritarem e carros velozes indo em busca de alguns motoqueiros rebeldes. Eu não ouvia mais nada desde o tiro que vi ser acertado no homem à minha frente. O barulho da bala entrando em seu cérebro me fez entrar em choque. Uma mistura de nojo e pavor me dominou e eu desejei a segunda cicatriz pela primeira vez, queria me esquecer daquela cena. Eu não estava mais conseguindo distinguir as falas dos policiais, suas palavras pareciam não ter som e tudo em minha volta parecia estar distorcido. O que me trouxe a realidade foi à dor que eu sentia em meu tornozelo, o policial Johnson, com toda a sua delicadeza, retirou a faca de minha carne como se ela fosse o pedaço de bife de seu almoço. Gritei, esperneei, e comecei a xinga-lo.

— Eu estou te ajudando! Você não consegue ser mais educada e ficar quieta? — Ele disse irritado ao tentar estancar o sangue, até os enfermeiros chegarem.

— VAI TOMAR NO SEU...

— Ei mocinha, você não quer ser presa por desacato à autoridade, não é mesmo? — O sargento Russell chegou e mostrou-se impaciente com aquela cena. — O que está fazendo? — Ele perguntou ao colega de trabalho.

— Os médicos e enfermeiros têm vitimas mais prioritárias, não acha?

— Fala sério! — Russell revirou os olhos e fez um sinal com a mão para que o policial Johnson saisse de perto de mim. Após isto me pegou no colo.

— Feche os olhos. — Ele sussurrou para mim enquanto me levava até dentro do hospital.

Obedeci e acomodei minha cabeça em seu ombro. Ele estava tenso e suava um pouco, sua respiração estava ofegante e seu cheiro era uma mistura de sangue com pasta de dente. Sorri internamente de nervoso, talvez houvesse pessoas com situações piores que a minha. Alguns minutos depois ele pediu para que eu abrisse os olhos e me colocou na beira da cama, no mesmo quarto onde eu descansava anteriormente. Eu tentava não pensar em nada, não pensar na dor, nos cheiros, nas visões, no desespero e muito menos no que poderia acontecer a partir de agora.

— Eu vou chamar algum enfermeiro para fazer um curativo melhor do que o nosso companheiro.

— Eles vão voltar. — Falei inconscientemente. Ele me olhou sem expressão e eu comecei a chorar novamente.

Que vida seria a minha? Fugindo e sendo perseguida. E se eu fosse pega, seria torturada, mas se não fosse, eu corria o risco de estar presa em algum outro lugar. Eu não me lembrava dos anos mais importantes da minha vida, não sabia minha idade, se era casada ou se tinha filhos. E tudo não parava de piorar, meu corpo estava cansado mas eu não conseguia dormir, minha mente nunca desligava e eu precisava urgentemente de um descanso. Fiquei chorando na frente dele por alguns minutos, até que ele sentou-se ao meu lado e fez o que qualquer policial normal faria. Russell me instruiu para que eu deitasse na cama e me enrolou com um lençol fino. Ele pediu para que eu tentasse me acalmar e foi buscar uma ampola e um seringa, depois sentou-se ao meu lado e aplicou o conteúdo da ampola em minha veia.

— Tenha bons sonhos!

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