29 julho 2018
Por Karolline Vicente

[Usurper] Capítulo II

— Onde eu estou? — Perguntei para mim mesma.

Era um lugar incomum. Claro demais, que fazia meus olhos arderem e piscarem um milhão de vezes. O colchão era até confortável em comparação com os que já havia deitado, mas desconfortável mesmo estavam meus pulsos com aquelas algemas. Eu estava deitada e algemada em uma cama de hospital. Quando meus olhos se acostumaram com a claridade, observei dois policiais me encarando do lado direito, e em meu lado esquerdo tinha uma enfermeira acomodando o que parecia ser minha refeição.

— Bem na hora! — ela disse com um sorriso no rosto. — Eu vou te ajudar a se sentar para que você possa comer, tudo bem? Acha que pode comer sozinha?

Cerrei os olhos e balancei a mão direita para ela entender que não conseguiria comer presa à cama.

— Ahm, certo! Eu vou te ajudar a comer então. Abra a boca quando eu pedir...

— Eu não sou criança! Me desalgeme que poderei comer sozinha.

— Desculpe, mas não há essa possibilidade! — Um dos policiais disse.

— Por que eu estou algemada? — perguntei cansada.

— Não se recorda? — ele sorriu irônico — Você quase explodiu uma bomba contra os oficiais que foram desabilita-la em seu corpo. Quase matou aqueles que iriam ajuda-la, como você mesma pediu que o fizessem.

— Eu não me lembro disso...

— Óbvio que não! — Ele disse ríspido.

— Sargento! — O outro policial o confrontou. — Desculpe minha senhora, mas para sua recordação, depois do esquadrão anti-bomba retirar o explosivo de seu corpo... Ahm, digamos que a senhora começou a surtar e pelo que entendemos, acreditou que a melhor forma de ser salva seria nos atacando com a bomba.

— Como eu fiz isso? — Falei com dor de cabeça.

— Você pegou a bomba e atirou contra os oficiais. — Ele sorriu de canto.

Meus olhos vidraram naquele sorriso. Se eu não tivesse passado tanto tempo em cárcere privado, poderia passar despercebido o sorriso maligno que ele dera, mas eu conhecia os detalhes e por isso temi conhecê-lo.

— Algo deve ter acontecido para eu reagir dessa forma.

— É o que iremos investigar!

— Eu preciso ir ao banheiro. — Falei olhando para a enfermeira. Ela olhou para os policiais e depois me observou com receio. — Você pode me ajudar? — insisti.

Minha cabeça doía muito com as luzes e minha voz saia como um sopro. O policial retirou minhas algemas, mas suas mãos estavam prontas para pegar sua arma e atirar contra mim. Acostumada com aquela tensão, eu não quis me explicar ou compreender o que tinha acontecido na noite anterior. Se realmente tivesse ocorrido na noite anterior. Meu corpo estava dolorido e eu sentia muito frio, tanto que quando toquei os pés descalços no chão gelado, meu corpo estremeceu. Respirei lentamente e tentei unir forças para caminhar junto com a enfermeira, mas eu não conseguia me concentrar nos passos seguintes e por isso cai no chão levando-a junto.

— O que ela tem? — Um dos policiais perguntou ao me pegar no colo e me acomodar na cama.

— Eu vou chamar o médico! — A enfermeira falou e saiu correndo pelos corredores.

Meus olhos estavam fechados e meu corpo estava fora de meu controle. Sentia muito frio e acreditava que aquela sensação estranha era incomum, mesmo com meu histórico de torturas e desmaios. Por uns minutos eu jurei ter ouvido a voz dele próxima a mim, e mesmo temendo reencontra-lo, eu queria encontrar alguém conhecido. Talvez ele pudesse me ajudar a me encontrar, apesar dele próprio ter feito eu me perder do meu eu. Chorei baixinho e esperei ouvir novamente sua voz, mas ela tinha se tornado um silêncio insuportável.

Dormi instantes depois e tive pesadelos. Estava novamente naquele lugar, mas dessa vez não estava em cativeiro, eu era apenas uma observadora. A garota não tinha rosto assim como eu não tenho identidade, mas eu não saberia dizer se eu era ela. Eu podia caminhar entre os corredores, entrar nos quartos proibidos e ouvir as conversas de todos aqueles que trabalhavam ali. Agora eu podia enxergar que estava em uma espécie de câmara subterrânea. Todos os profissionais usavam máscaras diferentes e suas armas possuíam códigos. No corredor onde eu ficava, tinha o meu quarto, duas portas prateadas e um banheiro. Três guardas revezavam a vigia. Suas armas tinham os números 4, 6, 9 gravados com uma tinta branca bem nítida. Tentei olhar seus rostos, mas estavam borrados, contudo, os três vieram em minha direção e me arrastaram pra um daqueles quartos com a porta prateada. Tentei correr para longe, mas algo me derrubou no chão e depois fui arrastada até o local. Não adiantava o quanto eu gritasse, eles não iriam parar... Por que eles nunca estavam satisfeitos.

— Eu fiz tudo o que você pediu! Eu me comportei... EU FUI UMA BOA GAROTA! — Eu gritei.

— Solta ele ou eu vou atirar! — O sargento Johnson falou enquanto apontava sua arma para mim.

— Você bem que gostaria de acabar comigo, não é? — Eu falei enquanto soltava o colarinho do uniforme do outro policial.

— O que disse?

— Eu vou me vingar de todos vocês!

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