Deveria ter sido ele... - Capitulo II


Resolvi escrever para ver se esse sentimento sai de mim. As palavras são tão boas quanto às lágrimas, mas essas eu pretendo não derramar em vão. Eu costumava escrever textos enormes quando brigávamos, por que ele dizia que eu não demostrava direito o que sentia, mas era o meu jeito inseguro tomando conta. Eu acreditava que ele me entendia, mesmo ele dizendo o contrário. É que ele era uma das poucas pessoas que realmente enxergavam a Isabella como ela realmente era. Nunca consegui compreender algum método que daria certo, que nos faria ficar juntos, por que sempre estávamos brigando. Era uma intriga maldita que cansava os dois, e para ser sincera, nenhum sabia realmente o por que brigávamos tanto.

Ele sempre foi aquele cara que me fazia sorrir ao me lembrar, aquele em quem eu confiava plenamente e corria para casa somente para desabafar sobre meu dia miserável. Ele me tranquilizava e me fazia tão bem, de uma forma tão nostálgica que eu nunca pensei em como seria caso deixássemos de nos falar. Mas ao mesmo tempo em que ele me levava pro céu com sua forma doce e gentil de me tratar, ele me derrubava com uma facilidade que eu não acreditava. Ele tinha poder sobre mim muito antes de eu descobrir esse fato. Nossas brigas eram puramente por erro de interpretação de texto. É claro que nós dois fomos estúpidos e não nos entregamos da forma como devia ter acontecido. Ao fim de tudo, eu senti a insegurança que ele também sentia comigo. Era reciproco. E apesar da dor que eu sinto agora, não posso mudar o passado.

Nunca me vi em um estado tão deplorável como este. Me sinto tão idiota e ao mesmo tempo tão devastada, por que quando eu fecho os olhos eu só consigo pensar nele. E o pior de tudo, é que nem ao mesmo seu rosto eu consigo imaginar. Seu toque, cheiro e calor são criações de minha mente afim de te-lo aqui. Pelo menos por um momento. Relembro-me das madrugadas perdidas e até de alguns planos que nunca serão cumpridos como prometido. Pois é, fizemos uma lista ridícula de coisas para fazermos juntos em algum dia quando nos encontrássemos pessoalmente, o que nunca aconteceu. E eu me pergunto ainda o por que não aconteceu? E isso me persegue.
Como ele queria que eu me entregasse assim? Eu já sabia do abismo. Mas se nossos encontros tivessem acontecido alguma vez, acredito que tudo teria sido diferente. Eu teria deixasse esse meu lado critico de lado e iria aceitar o sentimento. Aceitaria a verdade como ela era. Eu já estava apaixonada há tempos.

Sobre ele? Ah, era um cara comum, bem normalzão onde nos encantamos ao longo das conversas. Seu charme vem com suas palavras bem colocadas, frases que me decifravam numa rapidez incrível, e o pensamento logico de desvendar um problema sem solução. E eu era o problema. Um problema tão sem solução, e o erro dele foi tentar consertar algo que em mim estava perdido. 

- Sabe um computador? Finge que eu sou um. Deu pane no sistema. - Falei zoando. Ele riu muito e disse:
- Formata.
- Como eu faço isso? Por que quando meu computador trava, eu fico logo com vontade de jogar ele na parede.
- Então, primeiro precisa conhecer mais seu "computador" para ver como resetar ele, e depois ele rodar lisinho de novo. - Ele respondeu dando risadas. - Mas ter calma é a chave.
- Todos me pedem isso ultimamente, mal sabem que meu sobrenome é ansiedade...
- Hahaha já tentou fazer yôga? Falando sério...
- Ah sim, me deram várias dicas, desde o yôga até a erva. Meu sistema operacional está quase morrendo e a bateria encontra-se viciada.
- Troca de SO, pega algum mais levinho e livre, tipo Linux. E Mantêm um carregador por perto que fica tudo certo.  - Ele disse e eu ri internamente. Por um minuto quis que ele fosse meu carregador.

Eu só fui encontrar essa parte perdida em meio a esse caos, onde pela primeira vez eu posso afirmar que o amo. O amor não é tão lindo e simples como dizem, ele também é dor e muito mais do que luz, é escuridão. A escuridão do meu quarto me acalma, e minha mente falha ao tentar raciocinar outra coisa a não ser nós dois. E como doí, eu só sinto o aperto de não ter acontecido nada do que queríamos...

Sem ele, eu mal me reconheço em meio a essas lágrimas, e fico me perdendo no passado onde um ano antes eu chorava por não poder corresponde-lo na mesma intensidade. Ele disse que me amava pela primeira vez e eu não consegui responder a altura. E hoje, sou eu que sofro com seu silencio. Eu fico tão puta da vida com isso, e ninguém nunca vai conseguir entender a frustração que sinto. Por que eu fudi com tudo, e não há outra forma de dizer que sim, eu ferrei com nós dois. Ele não conseguia compreender que era difícil pra mim. No inicio de tudo, era difícil de confiar meus sentimentos em uma outra pessoa, e sendo mais complicado ainda por nunca te-la visto. Eu podia cometer erros e acabar sofrendo por ter deixado alguém assim entrar em minha vida e ferrar tudo. Mas o que mais doí é que ele me ferrou por eu não ter deixado-o entrar em minha vida. E apesar do ódio, eu sei que foi minha culpa. Mas é difícil. Não sei como mas eu me fechei para esse mundo, eu não conseguia dar uma chance a essa felicidade. Por que meu medo era maior do que minha coragem. Eu queria que ele compreendesse naquele momento que eu não estava pronta. Mas quando aconteceu já era tarde. Tantas magoas e decepções fizeram com que eu desacreditasse do poder desse sentimento, e eu sequer lembro de como era sentir o frio na barriga ou dar aquele sorriso largo e bobo ao encontrar aquela pessoa especial. 

Mas eu lembro que ele fazia eu me sentir assim e era bom. Eu não enxerguei a tempo o quanto era bom, e vitimizei meu medo dando mais importância ao que eu sentia sem pensar num segundo como ele se sentia. O egoismo era maior do que eu mesma. Como ele se sentia? Será que sofreu tanto como eu? Será que o vazio no peito e o nó na garganta são tão fortes quanto aqui dentro? Eu nunca saberei.

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Um comentário:

  1. Nossa quem nunca passou por algo assim, alguém que te faz bem, mas também te adoece. Adorei, sucesso flor ☺

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