01 julho 2016
Por Letras Orientais

Nervosismo e Felicidade


Estava nervoso.

Não sabia ao certo o que sentir ou como descrever o que estava sentindo, mas se tivesse que resumir, o sentimento seria: nervosismo.

Estava nervoso. Muito nervoso. Enquanto encarava alguma parede pintada e ajeitava a gravata que estava frouxa, podia sentir por completo as gotículas de suor escorrendo pelo seu rosto. Podia sentir sua camisa branca colando nas costas enquanto suas calças completamente bem engomadas, faziam com que suas coxas se tornassem mais volumosas. O topete no cabelo feito com mil quilos de gel começava se desmanchando devido ao calor no local. Calor que nem existia na verdade.

Suspirou frustado. Não conseguia fazer o nó da sua gravata devido as mãos que teimavam em tremer. Não conseguia encontrar a sua paz de espírito. Também, na circunstância em que estava, se tornava meio complicado. Porém, o nervosismo combatia uma breve guerra com a felicidade que habitava dentro de si.

Estava completamente feliz. A felicidade tomava conta do seu ser, dos seus órgãos, da sua cabeça, dos seus poros. A felicidade tomava conta de si. Tinha certeza que aquele seria o melhor dia da sua vida. Talvez, na verdade, o melhor dia tinha sido quando a viu pela primeira vez. Sentada no metrô, enquanto lia um livro qualquer de auto-ajuda, e tentava manter a calma ao sofrer insinuações maliciosas por um cara escroto. Ele sempre tinha sido um cara consciente e odiava esse tipo de atitudes. E por causa disso, se aproximou dela fingindo que a conhecia, para a tira-la dali faze-la se sentar ao seu lado. E mesmo que no início ela não soubesse das suas intenções, logo cooperou e começaram conversando animadamente até ambos saírem na mesma estação.

Obviamente, não tinha sido a melhor maneira de conhecer o amor da sua vida. Porém, ele esqueceu o modo como se conheceram quando viu o sorriso no rosto dela, agradecendo-o, e aquele olhar brilhoso, cheio de agradecimento e pureza, direcionado a ele. Com o passar do tempo ambos começaram a se aproximar e agora, naquele momento, e se passado três anos desde aquele incidente,  que decidiram juntar os trapinhos e se casarem.

Estava a ponto de chorar.

Mesmo com o nervosismo que sentia, e que era muito (afinal tinha medo de estragar aquela bela cerimônia) a felicidade que sentia era imensa. A amava profundamente. A amava como nunca tinha amado alguém antes e sabia que nunca ia amar assim um outro alguém. 

Ela o tinha escolhido.

Escolhido para ser ele o homem da sua vida. O tinha escolhido para ser o cara que iria observa-la acordar toda descabelada e com o rosto inchado, e a vê-la deitar depois de um dia de cansaço. O tinha escolhido para ser o garoto que iria ajuda-la nas compras de casa, nas limpezas, para lhe aliviar o stress do dia corrido... O tinha escolhido para ser o único homem do mundo a tocar nela. A beijar sua boca, a abraça-la e também a fazer cocegas. A faze-la delirar de prazer na cama enquanto enquanto olhava para ela cheio de amor nos olhos.

Ela tinha o escolhido para ser o amor da sua vida. Para ser ele o único homem da sua vida. Para ser ele o cara que ficaria com ela para sempre. E foi com tal pensamento e com um sorriso bobo no rosto, que olhou para a porta da igreja, ignorando por completo os demais da sala. Estava focado nos seus pensamentos e nela. Aquela garota que desde o primeiro olhar, tinha roubado seu coração. Ela estava linda. Não. Ela era linda!

Ela era a mulher mais bela que alguma vez tinha visto. E somente conseguia sorrir ao a ve-la caminhando pela passadeira vermelha até ao altar, com aquele sorriso que somente ela tinha, e com aquele olhar de pureza e alegria. Para não falar que ela estava uma gata! Aquele vestido lhe assentia perfeitamente. Marcava a cintura fina que tanto amava abraçar e logo lhe caia sobre o quadril largo. Seus peitos ficavam realçados e dava para ver perfeitamente o seu tom de pele, e o pescoço que ele tanto gostava de morder. Seu cabelo estava preso num coque com uma tiara prateada, que logo seria solto e envolto aos seus dedos. Seus pensamentos foram tantos e todos atolados em sua mente, que a cerimônia passou de forma rápida, e como num piscar de olhos, eles estavam no “sim”. E o medo habitou dentro de si.

E se ela falasse que não? E se ela recusasse bem na última da hora? E se ela percebesse que ele não era homem o suficiente para ela? E se…

E com essas perguntas retóricas e completamente imbecis, a olhou com um visível medo nos olhos esperando a resposta dela. Já tinha dado a sua resposta e agora só faltava a dela. O tempo para responder parecia ser uma eternidade e os minutos horas. Já estava a ponto de chorar quando ela respondeu. Ela disse sim.

Ele a beijou apaixonadamente mesmo antes do padre falar algo. E nada mais pode se ouvir a não ser o coro de fundo. Enfim, estavam casados.


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4 Comentários:

  1. Muito bom! Sempre fico pensando como será na hora do meu casamento haha continuarei de olho!

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    1. Confesso que não me pretendo casar, mas acredito que seja algo emocionante! Muito obrigado por sempre comentar nas minhas coisas. Em breve, lançarei um novo blog, que irá abordar mais coisas do que o Artista Fantasma. Espero te ver lá! Beijos.

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  2. Adorei! Super fiquei imaginando... hahah <3

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    1. Eu já escrevi esta historinha faz um tempo, mas mesmo assim, fico imensamente feliz por ter gostado! Por favor, continue me apoiando. Beijos.

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