Nervosismo e felicidade.



Estava nervoso.
Não sabia ao certo o que sentir ou como descrever o que estava sentindo, mas se tivesse que resumir, o sentimento seria: nervosismo.
Estava nervoso. Muito nervoso. Enquanto encarava alguma parede pintada  e ajeitava sua gravata que estava frouxa, podia sentir por completo as gotículas de suor escorrendo pelo seu rosto. Podia sentir sua camisa branca colando nas costas enquanto suas calças completamente bem engomadas, faziam com que suas coxas se tornassem mais volumosas. O topete no cabelo feito com mil quilos de gel começava se desmanchando devido ao calor no local. Calor que nem existia na verdade.
Suspirou frustado. Não conseguia fazer o nó da sua gravata devido ás mãos que teimavam em tremer. Não conseguia encontrar a sua paz de espírito. Também, na circunstância em que  estava, se tornava meio complicado. Porém, o nervosismo combatia uma breve guerra com a felicidade que habitava dentro de si.
Estava completamente feliz. A felicidade tomava conta do seu ser, dos seus órgãos, da sua cabeça, dos seus poros. A felicidade tomava conta de si. Tinha certeza que aquele seria o melhor dia da sua vida. Talvez e na verdade, o melhor dia tinha sido quando a viu pela primeira vez.
Sentada no metrô, enquanto lia um livro qualquer de auto-ajuda e enquanto estava tentando manter a calma ao ser molestada por um cara escroto. Sempre tinha sido um cara consciente e odiava esse tipo de atitudes. E por causa disso, se aproximou dela fingindo que a conhecia para a tira-la dali e fazer ela se sentar ao seu lado. E mesmo que no início ela não soubesse das suas intenções, logo cooperou e começaram conversando animadamente até ambos saírem na mesma estação.
Obviamente, não tinha sido a melhor maneira de conhecer o amor da sua vida, porém, esqueceu o modo como se conheceram quando viu o sorriso no rosto dela o agradecendo e aquele olhar brilhoso cheio de agradecimento e pureza o direcionando.
E foi de tal maneira e com o passar do tempo que ambos começaram a se aproximar e agora, naquele momento e se passado três anos desde aquele incidente, decidiram juntar os trapinhos e se casarem.

Estava a ponto de chorar.
Mesmo com o nervosismo que sentia, e que era muito,- afinal tinha medo de estragar aquela bela cerimônia- a felicidade que sentia era imensa. A amava profundamente. A amava como nunca tinha amado alguém antes e sabia que nunca ia amar assim. Aquela bela garota mulatinha tinha mudado sua vida, entrado nela e a revirando. E tinha amado isso.
Ela o tinha escolhido.
Escolhido para ser ele o homem da sua vida. O tinha escolhido para ser ele o cara que a iria ver acordar toda descabelada e com o rosto inchado e a vendo deitar depois de um dia de cansaço. O tinha escolhido para ser o garoto que a ia ajudar nas compras de casa, nas limpezas, para lhe aliviar o stress do dia corrido. O tinha escolhido para ser ele o único homem do mundo a tocar nela. A beijar, a abraçar, a fazer cosquinhas. A fazer delirar de prazer na cama enquanto a chupava ou a penetrava enquanto olhava para ela cheio de amor nos olhos.
Ela tinha o escolhido para ser o amor da sua vida. Para ser ele o único homem da sua vida. Para ser ele o cara que ficaria com ela para sempre.
E foi com tal pensamento e com um sorriso bobo no rosto, que olhou para a porta da igreja, ignorando por completo os demais da sala. Estava focado nos seus pensamentos e nela. Aquela garota que desde o primeiro olhar, tinha roubado seu coração. Ela estava linda.
Não. Ela era linda!
Ela era a mulher mais bela que alguma vez tinha visto. E somente conseguia sorrir ao a ver caminhando pela passadeira vermelha até ao altar com aquele sorriso que somente ela tinha e com aquele olhar de pureza e alegria. Para não falar que ela estava uma gata! Aquele vestido lhe assentia perfeitamente. Marcava a cintura fina que tanto amava abraçar e logo lhe caia sobre o quadril largo. Seus peitos ficavam realçados e dava para ver perfeitamente o seu tom de pele e o pescoço que gostava de morder. Seu cabelo estava preso num coque com uma tiara prateada.
E somente conseguia apreciar tal beleza enquanto esta caminhava de maneira confiante até si. Estava admirado e somente conseguia focar nela. Ela era a única coisa que importava ali. A única pessoa que olhava e apreciava.
E seus pensamentos foram tantos e todos atolados na sua mente que a cerimônia tinha sido tão rápida como um pescar de olhos e no momento estavam no “sim”. E o medo começava habitando dentro de si.
E se ela falasse que não? E se ela recusasse bem á última da hora? E se ela percebesse que ele não era homem o suficiente para ela? E se…
E com essas perguntas retóricas e completamente imbecis, a olhou com um visível medo nos olhos esperando a resposta dela. Já tinha dado a sua e obviamente, tinha sido “sim”. Um sim grande e cheio de emoção e amor. E agora só faltava o dela.
O nervosismo do início e o suor voltaram e agora, podia se sentir novamente todo ensopado com o seu próprio suor. O tempo para responder parecia ser uma eternidade e os minutos horas. Já estava a ponto de chorar quando ela respondeu.
A beijou apaixonadamente mesmo antes do padre falar algo.
Ela falou sim.

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4 comentários:

  1. Muito bom! Sempre fico pensando como será na hora do meu casamento haha continuarei de olho!

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    1. Confesso que não me pretendo casar, mas acredito que seja algo emocionante! Muito obrigado por sempre comentar nas minhas coisas. Em breve, lançarei um novo blog, que irá abordar mais coisas do que o Artista Fantasma. Espero te ver lá! Beijos.

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  2. Adorei! Super fiquei imaginando... hahah <3

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    1. Eu já escrevi esta historinha faz um tempo, mas mesmo assim, fico imensamente feliz por ter gostado! Por favor, continue me apoiando. Beijos.

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