[RESENHA] Mayombe, de Pepetela

TÍTULO ORIGINAL: Mayombe AUTOR: Pepetela
ANO: 2013 EDITORA: Leya PÁGINAS: 248
GÊNERO: Romance, Literatura Estrangeira
CLASSIFICAÇÃO: ❤❤❤❤❤


SINOPSE: Publicado originalmente em 1980, 'Mayombe' foi escrito durante a participação de Pepetela na guerra de libertação de Angola, e retrata o cotidiano dos guerrilheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) em luta contra as tropas portuguesas. O romance se propõe a abordar não somente as ações, mas os sentimentos e reflexões daquele grupo, as contradições e conflitos que permeavam sua organização e as relações estabelecidas entre pessoas que buscavam construir uma nova Angola livre da colonização.
"Mayombe" é um dos livros obrigatórios da FUVEST (USP), então não é preciso falar o quanto esse livro é bem escrito e o quanto ele concede conhecimento aos seus leitores. Eu li este livro por obrigação já que iria fazer a prova, porém ele se tornou um dos meus livros favoritos até hoje. É um livro único, com uma escrita fácil de compreender e com detalhes bem retratados, além de uma narração que se desenvolve perfeitamente e prende o leitor. A Fuvest indica um ótimo livro, com muito conteúdo (como sempre) e por isso acho que essa é uma leitura que todos deveriam fazer.

RESENHA: A escrita de Pepetela é simples e completa, porém é perceptível que as palavras foram escolhidas a dedo e juntas formam uma leitura incrível. A escrita é culta e cheia de referências que pouco provavelmente o leitor não agregue à vida pessoal. Muitas de suas frases se encaixam perfeitamente na realidade em que vivemos atualmente, mesmo o livro tendo sido escrito há décadas atrás. Este livro ilumina a mente do leitor para vários assuntos aleatórios sem aquela sensação forçada e clichê, e cada página prende o leitor numa intensidade diferente, de acordo com a vivência do personagem.
“Há vezes em que um homem precisa de sofrer, precisa de saber que está a sofrer e precisa de ultrapassar o sofrimento. Para que, por quê? Às vezes, por nada. Outras vezes, por muita coisa que não sabe, não pode ou não quer explicar”.
O livro possui um narrador onisciente e onipresente, no qual aborda um pouco da vida de cada personagem. Os três principais são: Sem Medo (Comandante), João (Comissário) e Ondina. A experiência dos três ao longo do livro é muito bem desenvolvida e conecta o leitor aos sentidos de cada um. Além de falar dos medos, sentimentos, desafios da vida e relações amorosas, o livro aborda muito a temática politica e da luta a favor do que se acredita, uma vez que esses guerrilheiros uniram-se (mesmo com a divergência étnica e ideológica que podiam os separar) para lutar e exigir seus direitos mediante à imposição e domínio dos estrangeiros.  "Mayombe" descreve a luta de independência de Angola, um país da Africa que possui uma diversidade étnica bem ampla e que por muitas vezes causa conflitos, como é visível no próprio livro. A narrativa ilustra o período de libertação do país, e a guerra de seus guerrilheiros manifestantes contra os tugas (nome dado aos portugueses). 

Entrevista com Beatriz de Castro, autora do livro "Pietra"


Nos próximos meses estarei lançando aqui no blog uma série de posts com dicas e comentários de escritores nacionais, para aqueles que, como eu, se inspirarem e se prepararem para a jornada de publicação de um livro. Para a estréia da série, conversei com a escritora Beatriz de Castro, autora do livro Pietra (resenha do livro em breve).

"Pietra" é o primeiro livro da trilogia "Sobrevivência" escrita pela autora. O lançamento oficial do livro ocorrerá na Bienal do Rio de Janeiro, então para aqueles que forem, este é um ótimo livro a ser adquirido no evento. Beatriz me concedeu uma entrevista e eu separei algumas perguntas mais específicas sobre a escrita e publicação de sua obra, como podem observar abaixo:

Como foi seu processo de criação do livro? 
Pietra surgiu através de um sonho e demorou sete anos para finalmente ser escrita, para eu conseguir passá-la para a tela. Utilizei o wattpad que foi uma plataforma que serviu de grande incentivo para me ajudar a não deixar a história de lado. 

Alguns escritores só conseguem processar as ideias quando estão sozinhos, você também é uma dessas pessoas? 
Sim, eu preciso de silêncio e tranquilidade para escrever senão não dá certo.

Você acredita que há muitos escritores brasileiros para um pequeno grupo editorial? 
Eu acho que a cada dia mais existem mais editoras, umas com propostas que estão se adequando à nova forma de publicação e outras que ainda estão presas ao passado. Cada vez mais plataformas como a Amazon vão surgindo e acho que isso é ótimo para quem escreve e para quem lê.

Sua obra foi uma auto-publicação. A partir de qual acontecimento você optou por esta decisão? Houve tentativas de contatos com as grandes editoras para parceria na publicação do livro? 
Eu recebi algumas propostas de editoras pequenas e médias. Alcançar editoras grandes não é para alguém iniciante e desconhecido, e eu sabia disso. Na época que eu procurei, as propostas não me soaram favoráveis e, portanto, optei pela autopublicação. Pela independência que me proporcionava e o retorno mais rápido, apesar das dificuldades que também aparecem.

Entrevista com Benjamin Alire Sáenz #1


No inicio do mês de Julho eu fui ao evento #Flipop da Editora Seguinte, e neste evento assisti à algumas palestras no qual uma delas foi uma na verdade, uma entrevista com o escritor Benjamin Alire Sáenz autor do livro "Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo".

Na entrevista, ele contou que tentou escrever um romance adulto e percebeu que não era seu estilo, foi quando encontrou um garoto de 17 anos e assim percebeu que sua escrita seria dedicada aos jovens. Ele sofreu abuso quando adolescente e isso desencadeou algumas inseguranças com sua sexualidade, e mesmo com a terapia, ele queria que os jovens não tivessem uma visão ruim da sociedade, queria que observassem um mundo sem violência e com segurança. Através dessa vontade e esperança que nasceu sua obra. 

O livro foi escrito para os jovens mas também foi um presente para ele próprio, e apesar de toda a história, ele informou que pensou que ninguém o leria. Mas depois, recebeu várias cartas, tanto de jovens quanto de mães e pessoas mais velhas, informando e detalhando como o livro tocou as pessoas e como ajudou a superar seus traumas. Ben comentou bastante sobre sua obra e explicou sobre a escrita e sobre a história:
"Naquela época não era possível o relacionamento entre dois meninos e como eles teriam suporte? Por que o mundo não aceitava. (...) É difícil amar qualquer pessoa, mas é mais difícil se você é lésbica ou gay."

"É tão difícil encontrar um amor verdadeiro. (...) todo mundo deve ser amado"
Infelizmente até hoje o mundo não proporciona nenhum suporte à essas pessoas. Falta o apoio, os conselhos mais reais, e principalmente a assistência com o término. E como o próprio Ben disse, as pessoas sabe como reanimar os héteros com as palavras, mas muitos não conseguem aconselhar do mesmo modos os gays, e há ainda aqueles que sentem-se aliviados com toda a situação. Mesmo que seja algo fora do que enxergamos no nosso dia a dia, a realidade dos homossexuais é difícil e eles muitas veze sofrem sozinhos. 

[RESENHA] O Garoto do Sonho, de Erick Mafra

TÍTULO ORIGINAL: O Garoto do Sonho AUTOR: Erick Mafra
ANO: 2017 EDITORA: Astral Cultural PÁGINAS: 128
GÊNERO: Juvenil, Literatura Nacional
CLASSIFICAÇÃO: ❤❤❤❤

SINOPSE: Maria Clara é uma jovem com uma vida comum, com pensamentos e rotina de uma vida comum. No seu primeiro dia de férias, presencia um acontecimento que a faz questionar a razão da vida. Sem encontrar respostas em sua própria mente, Maria Clara então abre espaço para se relacionar com quem tem respostas. Em um sonho, conhece um garoto chamado Eryn, que é de outro planeta, um representante de uma Nova Cultura que lhe mostra uma nova visão de amor, Deus, mundo e vida.
Eu sempre acompanhei a Camila Senna nas redes sociais e através de um vídeo, vi que ela estaria presente em um evento aqui em São Paulo. O evento seria o lançamento do livro do Erick Mafra "O Garoto do Sonho" no qual ela representava uma personagem do livro. Fui ao lançamento e foi incrível vê-la, e também ver todos os outros "personagens" do livro, que são muito simpáticos e amorosos. O Erick é uma pessoa maravilhosa e todo o carinho que ele possui transborda por suas feições. É difícil não sentir sensações lindas e positivas perto dele, e em seu abraço eu pude sentir um conforto que talvez eu não consiga agradecer a ele pela sensação. E o livro que ele escreveu é um reflexo do próprio, as palavras escritas são tudo o que a pessoa dele é: Amor. Sua obra é linda e cheia de emoção. Realmente é um livro otimista e que todos deveriam ler, pois é daqueles livros que o leitor sente cada página em si.

Todos compartilham o mesmo Céu. Mas, às vezes se esquecem disso. 

RESENHA: O livro é diferente dos que já li, possui um acabamento único e seu preenchimento é balançado nas cores: rosa, azul e roxo. Há ilustrações por todo o livro e para deixar a leitura mais mágica, Erick intercalou a leitura à músicas escolhidas a dedo. Cada música complementa a leitura e transforma a história mais viva e emocionante. Eu me apaixonei pelo gosto musical dele e adotei muitas das músicas à minha playlist. As ilustrações são incríveis e há um desenho mais lindo que o outro, e todos dão um charme único ao capítulo. Devido às ilustrações e observações sobre as músicas, as linhas não são certinhas na maioria dos capítulos, mas todo o conjunto do layout está maravilhoso. Este é realmente um livro lindo em todos os aspectos.

#QUEROSERESCRITORA | Dia Nacional do Escritor


Estamos nós aqui novamente. Página em branco, ideias e algumas palavras que vão se formando.
E do nado, surge mais uma virgula e mais outra estrofe. No final, aquele paragrafo me parece
menos do que perfeito, mas pelo menos, acabado.
E assim nós vamos mantendo essa relação: Acabando com alguns parágrafos aqui e ali.

Mas sabemos que um dia detestarei ler tais palavras nesta tela do computador,
Certa vez, necessitarei escrever a próprio punho toda essa amargura e todo esse sentimento
compulsivo que em mim se esvai. Assim como os ventos soando em meu ouvido, eu quase suplico
Sai da tela do computador! Eu preciso tocar e sentir este primogênito em meus braços.
Colado à mim, minha obra querida, eu te necessito à cada palavra escrita.

E quem sabe um dia? Quem sabe amanhã? Ao anoitecer haverá menos uma página em branco,
menos uma xícara vazia, e menos um capítulo a ser escrito. E ao amanhecer haverá mais uma folha 
a ser escrita, mais uma ideia a ser desenvolvida, e mais um xícara para ser enchida.
Haverá mais sorrisos e lágrimas destes personagens e haverá mais emoção em meu coração.
Junto dele a certeza e incerteza de que, quem sabe um dia, eu possa desfrutar de ser chamada de escritora.

Lembrai-me de que foi recíproco


Eu sei o que você pode ter pensado após eu ter sumido, que eu só queria te usar e após ter desfrutado do seu corpo, acredito que teve certeza disso. Se infelizmente pensou isso de mim, talvez seja verdade. Por que lá no fundo, eu realmente usei você: Usei para encobrir minhas tristezas, apagar as lembranças ruins das pessoas que haviam me machucado antes de você, usei você para suprir minha carência e alimentar minha ilusão de que eu estava bem como estava. Mas, sabe que não? E sinceramente, sumi mais por mim do que por você. Não que a transa, os beijos e os desabafos não tenham sido bons. Mas era bom demais para mim. Eu não precisava de nada disso e você me concedeu ótimas risadas, e por isso eu fui te usando, como se você fosse a fita adesiva perfeita que remendaria todo o caco em que eu me encontrava. Você quase deixou eu te usar e por isso eu o fiz. 

Me perdoe por ser uma pessoa tão má, mas eu tinha que ser boa para mim, e no momento sua presença me fazia bem mas não podia passar daquilo. E naquele dia, quando você me olhou nos olhos e soltou aquele sorriso... Eu percebi que se eu não parasse por ali, estaria quebrando algumas regras do jogo. Então eu fiz o que qualquer pessoa desesperada faria, vesti minhas roupas, te beijei ao sair e nunca mais retornei ao seu quarto. Não há um motivo especifico, por isso nunca respondi os seus questionamentos, mas entenda que para mim deveria ser apenas um caso, como foi. E eu sinto muito, que em seu pensamento já poderíamos ter algo a mais. Acho que em algum momento, não sei quando, as coisas não foram bem esclarecidas e então perdemos o controle da relação. 

Sim, eu te usei! Usei a pessoa que você é e não somente seu corpo. Mesmo que tenha pensado isso devido à minha fuga após nosso sexo. Mas ainda bem que eu fugi, não? Não estaria sendo uma pessoa sincera e nem sensata, e por isso mais uma vez, acredito que fiz a coisa certa tanto para mim quanto para você. Mas não se culpe, não derrame nenhuma lágrima e tampouco desiluda-se do amor. Não havia amor entre nós. Havia apenas o desejo de alguém por perto. E nos entretemos bem durante um bom tempo, permanecendo juntos quando dava, então também pense que já me usou. E tudo bem vai, eu deixei você me usar por que também sabia que era algo necessário para você. 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...